St. Louis, 29 jun (Reuters) - Os apertados mercados de trabalho nos Estados Unidos podem começar a levar as taxas de desemprego de negros e hispânicos a descer em linha com a dos brancos, outro motivo para a Reserva Federal desacelerar ou interromper a sua actual ronda de aumento de juros, disse o presidente da Fed de St. Louis, James Bullard, na quinta-feira.
"O desemprego está num nível baixo, mas você também tem o desemprego afro-americano, o desemprego hispânico", ainda vários pontos percentuais acima da média nacional, disse Bullard.
"Você poderia baixar essas taxas de desemprego, de forma mais consistente com as normas sociais do resto da sociedade ... Você poderia levar as pessoas a melhores situações de trabalho".
Os comentários de Bullard abordam um enigma central enfrentado pela Fed, acerca do debate quanto mais aumentar as taxas de juros durante uma expansão económica contínua.
O desemprego, de 3,8 por cento, está abaixo do que os decisores da Fed consideram "pleno emprego" e prevê-se que caia.
Embora positivo para os trabalhadores, isso representa um dilema para os banqueiros centrais cujo modelo económico central implicaria que a inflação deveria descolar com o mercado de trabalho em toda a capacidade e a economia a crescer acima do potencial.
O presidente da Fed, Jerome Powell, na sua conferência trimestral no início deste mês endossou essa visão do mundo, dizendo que o plano da Fed para aumentos graduais contínuos de taxas seria uma maneira de "navegar entre dois riscos... uma seria mover-se muito rapidamente - a inflaçao nunca atingiria novamente o alvo se fizermos isso".
"E o outro seria mover-se muito lentamente, e então temos muita inflação".
No entanto, Bullard - reafirmando um ponto frequentemente levantado pela ex-presidente Janet Yellen - disse que, sem aceleração da inflação em qualquer lugar à vista, a Fed deve errar do lado de permitir que os mercados de trabalho continuem a melhorar.
"Eu sou um falcão da inflação ... mas não estamos nessa situação agora", disse aos repórteres numa conferência de investimentos.
"Dizer que porque se vai chegar a um nível baixo de desemprego, a inflação vai explodir, não há provas disso."
Embora muitos formuladores de política continuem a pressupor que a inflação reaparecerá se o desemprego for baixo o suficiente, os economistas também estão a procurar evidências de que isso não ocorra.
Bullard, por exemplo, sugeriu que os bancos centrais têm sido tão eficazes em estabelecer expectativas de inflação, que o desemprego pode mergulhar ainda mais baixo sem inflação mais alta - possivelmente em benefício de grupos raciais e étnicos que sofrem um desemprego mais alto.
A taxa de desemprego nacional é de 3,8 por cento, mas é menor para os brancos em 3,5 por cento, e maior para os negros em 5,9 por cento e os hispânicos em 4,9 por cento. (Reportagem de Howard Schneider)
(Traduzido para português por Sérgio Gonçalves)