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Seguros: Investimento a longo prazo

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Seguros: Investimento a longo prazo
Por Jorge Filipe Ribeiro   |  24.11.2021 23:19
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1. A economia da indústria dos seguros

A indústria dos seguros é uma das maiores do Mundo, estimando-se que os prémios de seguros emitidos tenham atingido os 6 mil milhões de dólares americanos. Só os PIBs de dois países: Estados Unidos da América e China e o da União Europeia ultrapassaram esta indústria.

Os seguros, dentro do mercado, são divididos em dois grandes segmentos: os que se enquadram no ramo vida e aqueles que se incluem no ramo não vida.

No primeiro caso, a cobertura recai sobre seguros ligados à vida e/ou morte. São exemplo deste tipo de seguros os de vida e os de saúde. Porém, estes últimos só estão incluídos neste segmento em determinados países.

O caso dos seguros não vida são todos aqueles que se enquadram na proteção de bens financeiros e matérias, como propriedades e/ou veículos, por exemplo.

Num contexto diferente, existem também os seguros mais particulares como os seguros de especialidade (por ex.: seguros de responsabilidade civil especializado) e os chamados resseguro (seguro para seguradoras).

2. As seguradoras como potenciais investimentos

Esta indústria, ao apresentar valores de mercado tão significativos, poderá ser uma hipótese de investimento e de aplicação de fundos com retornos capazes de justificar o risco. Contudo, é importante perceber alguns pormenores desta área do mercado tão específica e peculiar.

Em análise simplicista e reduzida, uma empresa da indústria dos seguros pode gerar receita e ganhar dinheiro por dois caminhos: vendendo apólices de seguros (lucro de subscrição) e investindo o dinheiro disponível (float).

  • No primeiro caso, a seguradora ao vender mais apólices, recebendo mais valor em prémios do que o valor total do pagamento das indeminizações, gera lucro.
  • No segundo caso, o dinheiro que é recebido antes de ser pago em indeminizações é investido, por norma, em ativos seguros, como, por exemplo, títulos de alta qualidade.

No entanto, outras seguradoras optam também por outros tipos de investimentos, mais rentáveis mas, simultaneamente, menos garantidos.

O float é, efetivamente, a forma mais importante das seguradoras gerarem receita.

Porém, o controlo de custos é também uma das formas para aumentar os lucros, razão pela qual, cada vez mais as seguradoras estão a focar-se na digitalização e na análise de dados, criando, através de sistemas de inteligência artificial e análise de base de dados, padrões e perfis específicos dos seus clientes e de possíveis novos segurados.

Para além das métricas habituais de análise fundamental, é importante ter em consideração outras informações que conduzem a uma decisão de investimento mais informada e fundamentada, nomeadamente índice combinado, índice de sinistralidade ou taxa de perdas e a taxa de despesas.

  • O índice combinado é a combinação da taxa de perdas e a taxa de despesas.
  • A taxa de perdas é a percentagem dos prémios de seguros, que são pagos como sinistros, daí também, por vezes, ser denominado de índice de sinistralidade.
  • A taxa de despesas é a percentagem dos prémios que a seguradora utiliza para pagamento das despesas na administração e funcionamento do negócio.

A indústria dos seguros conseguindo gerar mais receita, investindo dinheiro que se encontra em espera para uma eventual utilização (sinistro, dano ou perda), torna-se atraente do ponto de vista do investidor, razão pela qual Warren Buffett tem os seguros como um pilar principal da Berkshire Hathaway (NYSE:BRKa).

Por outro lado, um seguro é quase sempre uma despesa obrigatória e fixa, pelo que, mesmo numa situação de recessão, não poderá ser cortada da lista de despesas das empresas, entidades e ou pessoas singulares.

Estas caraterísticas, em conjunto, conferem ao investimento em seguradoras uma capacidade de produzir excelentes retornos com pouca volatilidade numa perspetiva de longo prazo.

3. Algumas oportunidades de investimento

Seguidamente, são apresentadas algumas empresas desta indústria e que, poderão ser oportunidades de investimento enquadradas nas estretégias e perfis de cada investidor. Os dados apresentados são reduzidos e não devem ser utilizados como únicas variáveis de decisão de investimento.

AON PLC (NYSE:AON)

A fusão do Ryan Insurance Group e Combined Insurance Company of America em 1982 deu origem à Aon, empresa cujo PE se encontra nos 74.01 e apresenta um Dividend Yield de 0,68% e uma margem de lucro de 7.58%.

MetLife (NYSE:MET)

A MetLife é a empresa holding da Metropolitan Life Insurance Company e é uma das maiores empresas da indústria dos seguros do Mundo. Apresenta um PE de 10.57 e um Dividend Yield de 3.14%. A sua margem de lucro é de 7.82%

Allianz (DE:ALVG)

Uma das mais conhecidas companhias de seguros do Mundo. O gigante alemão apresenta 9.77 de PE e um Dividend Yield de 4.73%. Um Return on Assets de 0.94% e um Return on Equity de 11.57%.

American International Group (NYSE:AIG)

A AIG é uma das seguradoras mais conhecidas do mercado, estando presente em 80 países. Apresenta um PE de 9.08 e um Dividend Yield de 2.17%. A sua margem de lucro situa-se nos 11.8% e um Price/Book de 0.76.

Aflac (NYSE:AFL)

A Aflac é uma das empresas desta indústria mais reconhecida, faz parte da lista dos Dividend Aristocrats, pelo que o seu historial de distribuição de dividendos é marcante. O seu PE tem o valor de 3.24 e apresenta um EPS de 6.17. O seu Dividend Yield encontra-se nos 2.82% e a sua margem de lucro é de 11.77%.

AXA (PA:AXAF)

A AXA, seguradora com sede em Paris é, igualmente, uma conhecida do mercado, apresentando um PE de 11.16 e um EPS de 2.32. O seu Dividend Yield de 5.62% poderá ser um atrativo, desde que bem contextualizado a estratégia de investimento e, cuidadosamente, analisado. Esta empresa apresenta uma margem de lucro na ordem dos 4.71%.

A opção de investimento em seguradoras, mas num conceito mais passivo de gestão e vocacionado para o tipo de investidor menos centrado na análise constante do mercado, poderá passar pelos Exchange Traded Funds (ETF).

São exemplos de ETFs vocacionados para a indústria dos seguros 

  • o iShares U.S. Insurance ETF (NYSE:IAK), cuja TER se situa nos 0.42%,
  • o SPDR S&P Insurance ETF (NYSE:KIE) com uma TER de 0.35% e
  • o iShares STOXX Europe 600 Insurance UCITS ETF (DE:SXIPEX), focado no mercado Europeu, apresenta uma TER de 0.46%.

4. Conclusão

A aplicação de fundos próprios em ativos financeiros como ações de companhias de seguros é, inevitavelmente, correr o risco. Contudo, nesta indústria, pelos seus dados estatísticos, o risco poderá compensar, uma vez que a longo prazo será possível obter resultados relevantes.

Não particularizando ou individualizando, o exemplo de Warren Buffett poderá ser um guia para o investidor menos contextualizado com esta área do mercado. Warren Buffett tem como pilar base da sua Berkshire Hathaway as seguradoras.

No entanto, e como base fundamental do princípio do bom investidor, uma avaliação profunda e análise detalhadas das empresas e/ou fundos de índice cotados em bolsa, relacionados com a indústria dos seguros, são fundamentais para uma decisão de investimento muito mais assertiva, informada e de acordo com a estratégia de investimento e perfil de cada investidor.

As ideias e as opiniões, acima descritas, refletem a minha linha de pensamento sobre estes veículos de investimentos. Assim, não devem as mesmas ser consideradas ou tidas como forma de aconselhamento financeiro.

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Comentários (1)
Domingos Oliveira
Domingos Oliveira 25.11.2021 21:52
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Para quem tem expectativas de rentabilidade e quer mitigar o mais possível o risco, deverá procurar o sector dos seguros, aquele que melhor se adapta ao diferente perfil do investidor, flexibilzando modalidades, tanto no que respeita a entregas periódicas, quanto a valores investidos, permitindo, inclusive, que em alguns casos se altere carteiras, transferindo o montante investido para outros fundos. Admitindo-se sempre a capacidade para a tolerância ao risco, será em função desta característica que sempre presidirá a importância da análise a fazer sobre produtos que não garantem nem capital, nem rendimento. Parabéns pelo artigo. De novo, uma abordagem interessante, onde a clareza do argumento emerge em matéria tão complexa..
Jorge Filipe Ribeiro
i2eonline 25.11.2021 21:52
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Caro Domingos Oliveira. É com apreço que leio a suas palavras. De facto aquilo que menciona quanto à mitigação do risco é uma verdade. Muito Obrigado.
 
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