Para assegurar a eficiência e segurança na transação e armazenamento de criptoativos, novas empresas, Fintech’s e Startup’s estão a criar soluções que servem como canais de comunicação entre o mundo dos investidores tradicionais e este mercado.
Calma!
Se já estás em desespero com o jargão, começa por consultar o artigo: “Criptoativos: O que são? Quais os tipos? Onde guardar e transacionar?“.
Em que consiste a Custódia de Criptoativos?
No espaço dos ativos digitais, os serviços de custódia operam de forma semelhante ao mercado financeiro tradicional. O seu papel principal é a responsabilidade por armazenar de forma segura os ativos digitais dos seus clientes.
Porém, ao invés do que acontece no mercado financeiro tradicional, uma entidade detém a custódia de um criptoativo, em nome do seu proprietário, simplesmente detendo a chave privada do mesmo e garantindo que esta não pode ser acedida por terceiros.
Por que é que limitar o acesso às chaves-privadas é crucial?
- Este é o único método para aceder aos ativos digitais e
- As transações são irreversíveis na maioria das DLTs.
Tipos de Armazenamento (para além do que é oferecido por Bancos)
Se já detens Bitcoin, Ethereum, ou outro criptoativo, provavelmente usas um dos seguintes tipos de custódia…
Custódia Pessoal
Como o nome indica, consiste no armazenamento por parte do detentor dos ativos. Pode assumir o formato de hardware wallets (ex: ledger), software wallets (ex: Jaxx Liberty) ou formato papel.
Carteiras em Exchange
Soluções em que o investidor dá controlo sobre a gestão das suas chaves privadas a uma Exchange (ex: Binance), mas mantem o acesso via uma carteira online. No fim de contas, a Exchange detém a posse sobre as chaves privadas e, consequentemente, sobre os ativos digitais.
Prós e Contras
Deixamos em baixo uma tabela com os principais prós e contras associados a guardar criptoativos nos diferentes formatos:
Tipos de Custódia Prós Contras
Pessoal | 1. Total controlo sobre os ativos; | 1. Peso da responsabilidade sobre os Ativos;2. Suscetibilidade à perda ou roubo; |
Em Exchange | 1. Simples de usar;2. Fácil acesso; | 1. “Risco da Contraparte”;2. Sem acesso à chave privada (not your keys, not your coins);3. Mistura dos criptoativos dos clientes numa única carteira; |
Custódia Qualificada | 1. Regras contratuais claramente definidas;2. Flexibilidade;3. Maior nível de segurança (geralmente cobertas por seguros;); | 1. Comissões de Custódia;2. Incerteza Regulatória; |
Porquê Oferecer Serviços de Custódia Qualificada de Criptoativos?
Enquanto o mercado dos criptoativos continua a crescer, com cada vez mais projetos e empresas a traserem inovação à indústria, o volume deste tipo de ativos a ser transacionado no sistema financeiro tem acompanhado este aumento.
Para além disso, uma das características comum entre a maioria dos investidores é o desejo pela segurança do património e a facilidade em transacioná-lo. É na concretização destes objetivos que os fornecedores de serviços de custódia qualificados têm um papel fulcral.
5 fatores que têm incentivado o aumento da procura
1. Natureza dos Ativos
A natureza online dos ativos digitais torna-os mais vulneráveis. As custódias qualificadas deverão garantir os recursos necessários para mitigar estes riscos, providenciando aos investidores uma plataforma de armazenamento segura e regulada para o seu património.
2. Delegação de Responsabilidade
Da perspetiva do investidor, armazenar os ativos digitais numa custódia regulada pode ser benéfico, no sentido em que não têm de assumir a responsabilidade de tomar conta dos próprios ativos.
3. Redução do Risco
Se os investidores guardarem os ativos em custódias não autorizadas, aumentam o seu risco de perda (parcial ou total) dos fundos, no caso de hacking ou mau funcionamento do sistema.
As custódias qualificadas podem gerar um nível de certeza sobre a recuperação dos fundos superior, nomeadamente através de contratos com Seguradoras ou outras Instituições Financeiras.
4. Maior Segurança
Algumas criptoexchanges tendem a misturar ativos de diferentes clientes numa única carteira – acumulando assim valores elevados. Logo, estas carteiras tornam-se mais apetecíveis a serem “hackeadas“.
Para além disso, teoricamente, as exchanges são mais suscetíveis a entrarem em falência ou a serem fechadas por ordem judicial ou por autoridades governamentais.
5. Eficiência Operacional
Potenciais investidores em ativos digitais sentem-se retraídos a investir pela complexidade (aparente) e pela natureza do mercado dos criptoativos. Nesse sentido, as custódias qualificadas podem alavancar a sua tecnologia e experiência regulatória para fornecer aos investidores maior conforto/segurança e encorajar a participação neste mercado.
Um mercado em ascensão em que os serviços de custódia são dos aspetos mais relevantes.
Bancos Regulados que Guardam Criptomedas
Bem, vamos ao que interessa?
Atualmente, em Portugal, apenas um banco tem a licença do Banco de Portugal para oferecer serviços de custódia de criptoativos – o Bison Bank.
Detido pela Bison Capital Financial, que por sua vez é detida pela Bison Capital Holding Company Limited, com sede em Hong Kong, este Banco obteve a licença em causa em Abril de 2022, através da empresa Bison Digital Assets.
É ainda importante salientar que a primeira Institiuição financeira regulada (pela SEC – Securities & Exchange Commission) nos EUA para oferecer serviços de custódia de criptoativos foi fundada por um português – Diogo Mónica. O Banco em causa chama-se Anchorage.
TL;DR (Too Long; Didn’t Read)
1. A custódia qualificada de criptoativos é oferecida por fornecedores de serviços financeiros que armazenam os ativos digitais em nome dos seus clientes.
2. Estas instituiçoes/bancos usam ferramentas de controlo que garantem o armazenamento seguro destes ativos.
3. Tipicamente, estas soluções são desenhadas para investidores institucionais (ex: outros bancos, market makers, fundos de investimento, e/ou miners.
4. A primeira Institiuição financeira, regulada nos EUA, foi fundada por um português. O Banco em causa chama-se Anchorage.
5. Em Portugal, apenas um banco tem a licença do Banco de Portugal para oferecer serviços de custódia de criptoativos – o Bison Bank.