Investing.com - As palavras do presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos eram aguardadas com expectativa e acabaram por determinar o comportamento dos mercados acionistas.
Ben Bernanke acalmou os receios dos mais pessimistas ao afirmar que não existe um rumo pré-definido para a política monetária, estando esta dependente do clima económico.
O discurso deixa entender que o programa de compra de ativos (quantitative easing) por parte do Fed, para estimular a economia, poderá prevalecer por mais tempo. Na prática, as declarações de Bernanke foram música para os ouvidos dos investidores.
Foi neste contexto que a bolsa de Lisboa consolidou os ganhos. O PSI 20 terminou a sessão a valorizar 0,34% para os 5.442,70 pontos, com 14 cotadas em alta, cinco em baixa e uma inalterada.
Mas nem tudo são boas notícias. A crise política instalada em Portugal, com os pedidos de demissão apresentados por Paulo Portas e Vítor Gaspar, obrigou o país a pagar mais caro para emitir dívida esta quarta-feira.
O Estado conseguiu colocar mais 1,5 mil milhões de euros de dívida no mercado, mas com os Bilhetes do Tesouro com maturidade a 12 meses pagou uma taxa de juro média de 1,72%, face aos 1,232% conseguidos no último leilão comparável. Na emissão a cinco meses, o juro foi de 1,045%, acima dos 0,041% do último leilão comparável.
O setor da banca, mais exposto ao risco da República, foi dos que mais puxou pela praça lisboeta, com especial destaque para os ganhos do Banif. As ações do banco dispararam 36,59% para os 0,056 euros, depois da forte pressão registada nos últimos tempos, no âmbito do processo de aumento de capital do banco.
BPI e BES registaram subidas de 3,98% e 2,02% para os 0,914 euros e 0,607 euros por ação respetivamente. Mais modestos foram os ganhos do BCP, 1,14% para os 0,089 euros por título.
Ainda em destaque pela positiva esteve a Zon Multimédia com uma subida de 3,78% para os 3,84 euros por título e a Mota-Engil a apreciar 2,12% para os 2,551 euros por ação. Esta quarta-feira, as construtoras portuguesas Monte Adriano e Mota-Engil assinaram contratos para a construção de duas barragens e de um conjunto de diques e obras acessórias na ilha cabo-verdiana de Santiago.
No grupo Sonae, o destaque cabe à Sonaecom, com uma valorização de 4,76% para 1,65 euros por ação. A impedir maiores ganhos na praça lisboeta estiveram a Galp e Jerónimo Martins, com quedas de 1,23% e 1,11% para os 11,61 euros e 15, 66 euros respetivamente.
Lá fora, o índice Eurostoxx 50 fechou a jornada a apreciar 0,61% para os 2.681,88 pontos. Atenas destacou-se com um desempenho que possibilitou ganhos de 1,72%. O MIB italiano subiu 1,06% e o DAX alemão 0,65%, no dia em que o país colocou 3.190,40 milhões de euros em dívida a 10 anos a um juro de 1,57%, acima dos 1,55% pagos em junho.
O CAC francês apreciou 0,55% e o FTSE londrino 0,24%. O IBEX madrileno teve um desempenho mais modesto, com uma subida de 0,19%. O executivo de Mariano Rajoy continua sob pressão, com os socialistas a exigirem a demissão do Presidente do Governo, por causa do alegado envolvimento no chamado "Caso Bárcenas", relacionado com um esquema ilícito de financiamento do Partido Popular.
Do lado de lá do Atlântico, os mercados acionistas norte-americanos acordaram em alta, com as declarações do presidente do Fed a abirem o apetite dos investidores. O índice industrial Dow Jones subia 0,03% e o tecnológico Nasdaq 0,11. O S&P500 apreciava 0,22%.