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A cerveja. Indústria e possibilidades de investimento

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A cerveja. Indústria e possibilidades de investimento
Por Jorge Filipe Ribeiro   |  25.09.2023 00:13
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1- A cerveja no contexto temporal e no mundo

Setembro e outubro, culturalmente, na Alemanha, são meses associados à cerveja. Esta é uma das bebidas mais antigas produzidas pelo homem, acreditando-se que a primeira cerveja de cevada tenha sido criada na Mesopotâmia. Um poema sumério, com mais de 3500 anos, que inclui uma homenagem à deusa padroeira da cerveja e no qual também se encontra a receita mais antiga desta bebida, atesta a prova da sua longa existência.

O seu consumo é global e a cerveja é a bebida alcoólica mais consumida em todo o mundo, ficando no terceiro lugar das bebidas mais consumidas pela humanidade, atrás da água e do chá.

A sua indústria é tão abrangente que de forma direta, indireta ou induzida 1 em cada 110 empregos (0,91%) está ligado ao setor cervejeiro. Em termos globais, no ano de 2021, o consumo de cerveja foi superior a 185 milhões de quilolitros, sendo a China o maior consumidor global, encontrando-se nessa posição, à data do estudo - 2021, pelo 19º ano consecutivo.

No que concerne ao consumo per capita, no mesmo ano, a República Checa, país onde a cerveja é, em média, mais barata do que a água engarrafada, manteve-se como o maior consumidor, conservando essa posição pelo 29.º ano consecutivo.

Curiosamente e apesar da tradição, a Alemanha encontra-se em sexto lugar no consumo global (dados de 2020) e em quinto lugar no consumo per capita (dados de 2020). Neste indicador, os países da Europa consomem mais cerveja do qualquer outro país em geografias diferentes.

Os portugueses também consomem cerveja, mas não num volume significativo, ao contrário daquilo que acontece com o vinho. No indicador de consumo per capita o nosso país encontra-se no 34º lugar com uma média de 54,9 litros, um valor acima da média mundial que é de 54 litros. No entanto, em consumo global atingimos os 565 milhões de litros consumidos, colocando-nos em 23º lugar. Turismo, residentes estrangeiros, eventos desportivos e culturais podem ser o motivo e justificação destes resultados. População nacional mais consumidora de vinho, população não nacional mais consumidora de cerveja.

Em 2022, a produção global de cerveja totalizou mais de 1800 milhões de hectolitros. Em comparação com o ano de 1998 houve um aumento de produção superior a 45%.

Acredita-se que no final de 2023, o volume médio consumido, por pessoa, a nível mundial, possa ultrapassar mais de 1,8 litros por mês.

2- A indústria, o mercado e as novas tendências

2.1- A cerveja com álcool

No final deste ano, estima-se que a receita do mercado de cerveja possa atingir os 610 mil milhões de dólares americanos, esperando-se que a Taxa de Crescimento Anual Composta ultrapasse os 5,4%, entre 2023 e 2027.

Contudo, análises e previsões mais conservadoras estimam que o tamanho do mercado global de cerveja, avaliado no ano de 2020, num valor superior a 605 mil milhões de dólares americanos, possa apresentar uma Taxa de Crescimento Anual Composta de apenas 2,7%, superando somente os 815 mil milhões de dólares americanos no ano de 2030.

Em comparação global, a maior parte da receita é gerada na China. Nos Estados Unidos da América, a receita per capita, no final de 2023, deverá, pelas previsões, ultrapassar os 79 dólares americanos. Até 2027 estima-se que mais de 50% deste valor, gasto pelo cidadão americano, será atribuído ao consumo não doméstico (bares, restaurantes, eventos ou recintos desportivos) e 33% adstrito ao consumo doméstico.

2.2- A cerveja de baixo teor alcoólico

Atualmente verifica-se, entre os consumidores, uma gradual procura por opções e produtos mais saudáveis devido às crescentes preocupações com o seu bem-estar. Esta tendência está a influenciar o crescimento, diversificação, desenvolvimento e expansão do mercado. Por outro lado, a popularidade do baixo teor de álcool e da opção sem álcool está a aumentar, razão pela qual a indústria cervejeira está a adaptar e a ajustar a sua gama de variedade de cervejas, satisfazendo os consumidores mais preocupados com a saúde, que pretendem desfrutar de vários tipos de sabores sem o teor alcoólico associado.

Por estas razões, estima-se que a receita do mercado de cerveja não alcoólica, em 2023, possa ultrapassar os 5,9 mil milhões de dólares americanos, alcançando uma Taxa de Crescimento Anual Composta prevista, até 2027, acima de 8,15%, muito superior à prevista no segmento com álcool. Este crescimento acentuado poderá conduzir a que, nos Estados Unidos da América, esta secção do mercado atinja, segundo as previsões, uma receita per capita, superior a 17,5 dólares americanos e uma média de consumo acima de 3,7 litros, por pessoa, durante este ano.

2.3- A cerveja artesanal

O mercado tem sido impulsionado pela evolução das preferências do consumidor, em resultado das transformações da mentalidade, nas alterações das tendências sociais e no desejo de opções únicas e distintas.

Este novo movimento global de consumidores peculiares conduz, também, a uma crescente procura por produtos artesanais, frequentemente produzidos por cervejarias de menores dimensões e independentes.

Este tipo de cerveja, que representa outro grande fator indutor de crescimento desta indústria, oferece sabores, autenticidade e diversidade exclusivos e artesanais, para além de se apresentar como uma alternativa às opções padronizadas e produzidas em massa.

O tamanho do mercado global de cerveja artesanal foi avaliado, em 2020, num valor superior a 95,2 mil milhões de dólares americanos e, segundo algumas previsões, deverá crescer acima dos 210 mil milhões de dólares americanos, nos próximos 5 anos. Estes dados representam uma Taxa de Crescimento Anual Composta prevista superior a 10%, até 2028. Contudo, análises menos conservadoras estimam que este segmento específico do mercado possa atingir uma Taxa de Crescimento Anual Composta prevista superior a 12%.

3- As oportunidades de investimento

O investimento na indústria da cerveja é, por vezes, convergente com o investimento em bebidas destiladas, espirituosas ou até mesmo com o vinho. Muitas empresas apresentam, no seu portefólio de marcas diversas, opções de vários tipos de bebidas alcoólicas, dentre as quais as cervejas.

Seguidamente são apresentadas, de um modo muito resumido, várias empresas incluídas na indústria cervejeira, produzindo ou comercializando algumas das marcas mais conhecidas pelo público em geral.

  • Heineken N.V. (OTC:HEINY) empresa Holandesa com sede em Amesterdão, fundada 1864. Conta com 90 mil funcionários e comercializa marcas como Heineken, Amstel, Tiger ou Birra Moretti. Apresenta um PE acima de 19 e um EPS superior a 2. Distribui dividendos com um Dividend Yield de 2,26% e a sua marem de lucro é superior a 8,6%.
  • Carlsberg A/S (CSE:CARLb) (CABJF) empresa dinamarquesa com sede em Copenhaga, fundada em 1847. Marcas como Carlsberg, Tuborg, Baltika e Grimbergen fazem parte do seu portefólio. O PE é superior a 18,7 e o EPS encontra-se acima de 7,15. Distribui dividendos com um Dividend Yield de 2,95%. ROA e ROE são superiores a 5% e 25%, respetivamente. A margem de lucro está acima de 10,6%.
  • Anheuser-Busch InBev SA/NV (NYSE:BUD) empresa Belga com sede em Leuven, fundada em 1366. Conta com 167 mil funcionários e marcas como Budweiser, Corona, Stella Artois, Beck's e Leffe fazem parte da sua gama. Apresenta um EPS acima de 3 e um PE superior a 18,5. PS e PB encontram-se acima de 1,95 e 1,45, respetivamente. A margem de lucro operacional é superior a 24% e distribui dividendos com um Dividend Yield de 1,45%.
  • Ambev S.A. (NYSE:ABEV) empresa brasileira com sede em São Paulo, fundada em 1885. Marcas como Brahma, Antarctica ou Corona fazem parte do seu universo. O PE é superior a 14,6 e o EPS situa-se acima de 0,15, distribuindo dividendos com um Dividend Yield de 5,44%. ROA e ROE encontram-se acima de 8,25% e 16,9%, respetivamente.
  • Tsingtao Brewery Company Limited (OTC:TSGTY) empresa chinesa com sede em Qingdao, fundada em 1903. A cerveja Tsingtao é a sua marca mais conhecida. Apresenta um PE acima de 19 e um EPS superior a 0,4. Distribui dividendos com um Dividend Yield de 2,3% e a sua margem de lucro ultrapassa 12,4%. PS e PB são superiores a 2,2 e 2,9, respetivamente.
  • Molson Coors Beverage Company (NYSE:TAP) empresa americana com sede em Golden, no Colorado, e fundada em 1774. A sua marca de cerveja mais conhecida é a Coors. Apresenta um PE acima de 333 e um EPS superior a 0,15. Distribui dividendos com um Dividend Yield de 2,56%. PS e PB encontram-se acima de 1,2 e 1, respetivamente. A sua margem de lucro operacional ultrapassa os 11,4%.
  • Constellation Brands, Inc. (NYSE:STZ) empresa americana com sede no Estado de Nova York e fundada em 1945. A sua marca de cerveja mais conhecida é a Corona. Distribui dividendos com um Dividend Yield de 1,39% e o EPS é negativo, abaixo de -1,45. A margem operacional é superior a 29,8% e o seu ROA supera os 7%. PS e PB situam-se acima de 5.
  • The Boston Beer Company, Inc. (NYSE:SAM) empresa americana com sede na cidade de Boston, tendo sido fundada em 1984. A sua cerveja mais conhecida é a Samuel Adams Boston Lager. O PE é superior a 71 e o EPS encontra-se acima de 5. ROA ultrapassa os 4,9% e o ROE supera os 6%. A margem de lucro é superior a 3,5%. PB e PS posicionam-se acima de 4,1 e 2, respetivamente.

4- Conclusão

A cerveja, com a sua longa história como bebida, tem acompanhado a humanidade no processo de evolução e modernização. A indústria cervejeira vai contribuindo para que o seu consumo seja global e crescente, ano após ano, adaptando-se às novas tendências, exigências e escolhas do consumidor.

Investir neste mercado implica análise, avaliação e estudo profundos das empresas e das características peculiares do mercado em si. No entanto, os números, dados estatísticos e previsões mostram que será uma indústria em crescimento e expansão nos próximos anos, a qual poderá conferir e proporcionar oportunidades de investimento interessantes dentro das várias empresas, que comercializam a terceira bebida mais consumida no mundo.

As ideias e as opiniões, acima descritas, refletem a minha linha de pensamento sobre estes veículos de investimentos. Assim, não devem as mesmas ser consideradas ou tidas como forma de aconselhamento financeiro.

A cerveja. Indústria e possibilidades de investimento
 

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Comentários (1)
Domingos Oliveira
Domingos Oliveira 25.09.2023 14:54
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Neste tema da indústria da cerveja, surpreende-me o 5°. lugar da Alemanha no consumo per capita, quando sempre imaginei ser dos mais elevados. Outros, o facto de, há 19 anos consecutivos, ser a China o seu maior consumidor global e, por último, ser o consumo inferior ao do chá. Detalhes interessantes para quem, como eu, o investimento não é importante. Relativamente à atratividade do investimento, sai reforçada devido a sua diversificação e, sobretudo por ser bebida amplamente consumida em todo o mundo e, se não fosse a intensidade da concorrência, poderia dizer-se sem riscos. Na linha de todos os outros anteriores artigos, este surge com o mesmo selo de objectividade. Parabéns Jorge Filipe Ribeiro.
Jorge Filipe Ribeiro
Jorge Filipe Ribeiro 25.09.2023 14:54
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Caro Domingos Oliveira, de facto os números são surpreendentes. Muito obrigado pelas suas palavras.
 
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