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Fast-food a indústria como investimento

Publicado 23.02.2024, 00:26
Atualizado 09.07.2023, 11:32

1. Fast-food e história

A história do tipo de comida fast-food remonta aos primórdios da civilização, com as bancas de comida de rua da Roma Antiga. No entanto, a sua popularização moderna começou no início do século XX nos Estados Unidos.

A White Castle, fundada em 1916, foi pioneira na produção em massa de hambúrgueres a preços acessíveis e nos elevados níveis de qualidade e segurança alimentar da época. Mais tarde, na década de 1940, os irmãos McDonald revolucionaram o setor com a introdução da linha de montagem e do self-service, criando um modelo de serviço rápido e eficiente, fórmula que se espalhou, rapidamente pelo mundo, impulsionada pela globalização e pelo crescimento da classe média.

Atualmente, o fast-food é um fenómeno global e presente em todos os continentes e apesar das críticas relacionadas com a saúde e impacto ambiental, tem vindo a manter a sua popularidade, oferecendo uma opção rápida, prática e acessível a milhões de pessoas.

Hambúrgueres, sanduíches, pizas, massas, comida asiática, tacos, burritos ou frango frito são alguns dos tipos comuns de fast-food servidos em todo o mundo.

2. Dados estatísticos do consumo

De acordo com vários estudos, o consumo regular de fast-food tem mostrado um crescimento superior a 2% ao ano e, em média, as pessoas gastam 148 dólares americanos, por mês, neste tipo de alimentação.

O aumento da população a nível mundial e o desenvolvimento da classe média, resultante do crescente rendimento disponível, têm conduzido a um maior consumo de fast-food. A vida nas cidades implica menos tempo para cozinhar e o acelerado ritmo do quotidiano conduzem a uma maior adoção deste tipo de alimentação, que pelo fácil acesso e rapidez no atendimento ou na acessibilidade de pedidos online, garantem maior comodidade e agilidade para os consumidores, os quais veem este tipo de alimentação como uma alternativa rápida e económica.

2.1. Estados Unidos da América

A maioria dos americanos consome fast-food de uma a três vezes por semana e um terço destes é consumidor diário. A faixa etária entre os 20 e os 39 anos representa a maior parte dos americanos que consome fast-food.

Nos Estados Unidos da América, mais de 80% das famílias realizam uma refeição do tipo fast-food, por semana, gastando, em média, 10% do seu rendimento anual neste tipo de alimentação.

Estudos realizados revelam que o consumo, per capita, nos Estados Unidos da América ultrapassa os 1000 dólares americanos anuais, comparativamente um australiano gasta em média, por ano, 800 dólares americanos neste conceito de refeição.

2.2. Portugal

No nosso país, o número de portugueses que consome fast-food em restaurantes tem vindo a diminuir, contrariando a tendência global. De acordo com o estudo da Marktest, em 2020, 55,9% da população portuguesa afirmava ter consumido refeições fast-food num restaurante, nos 12 meses anteriores. Em 2021, a percentagem caiu para 51,2%, porém 71,4% dos mais jovens, faixa etária entre os 15 e os 24 anos, afirmou ter realizado uma refeição deste tipo num restaurante. Curiosamente, mais de 27% dos indivíduos da faixa etária acima dos 65 anos afirmou o mesmo.

Portugal figura em 16º lugar, na lista dos 20 países onde mais fast-food se consome no mundo. Nele há um consumo per capita na ordem dos 110 euros anuais, abaixo da média da Europa que se encontra nos 200 euros por ano.

A cadeia McDonald's ainda é o restaurante mais popular na indústria de fast-food a nível Mundial, não fugindo à regra em Portugal.

3. O mercado da indústria do fast-food e as perspetivas de crescimento

O tamanho do mercado do fast-food foi avaliado, em 2023, num valor superior a 784 mil milhões de dólares americanos. Contudo, outras análises menos conservadoras atribuíram a esta indústria um valor superior a 975 mil milhões de dólares americanos.

O crescimento e o aumento da procura e do consumo deste tipo de alimentação suporta as antevisões de crescimento assinaláveis do seu mercado.

As previsões apontam para um valor de mercado superior a 930 mil milhões de dólares americanos em 2027, superando os 997 mil milhões de dólares americanos até ao final de 2028. Já análises menos conservadoras apontam um valor superior a 1467 mil milhões de dólares americanos, em 2028.

O crescimento previsto para esta indústria, nos próximos 6 anos, poderá levar a que em 2030 o valor de 800 mil milhões de dólares americanos seja superado, ultrapassando mesmo os 1096 mil milhões de dólares americanos, nas previsões de análises menos conservadoras.

Espera-se que em 2031 um valor acima de 1087 mil milhões de dólares americanos seja ultrapassado ou, somente, em 2032 nas previsões de análises mais conservadoras.

Estes dados demonstram que a Taxa de Crescimento Anual Composta prevista para a indústria do fast-food possa estar compreendida entre os 3,7% e os 7,62% para os próximos 8 anos.

3.1. Mercado europeu

Particularmente, o mercado europeu de fast-food, segundo algumas análises, poderá superar os 192 mil milhões de dólares americanos, em 2030. No ano de 2027 espera-se que a Alemanha, individualmente, ultrapasse o valor de mercado de 28,8 mil milhões de dólares americanos, mantendo a sua posição dominante neste mercado a nível europeu.

Contudo, o Reino Unido com uma Taxa de Crescimento Anual Composta prevista de 6,2% e a França com uma Taxa de Crescimento Anual Composta prevista superior a 11% revelam o incremento de valor que esta indústria apresentará, previsivelmente, nos próximos anos na Europa.

3.2. Japão, Médio Oriente e África

No Japão espera-se que a Taxa de Crescimento Anual Composta prevista seja de 7,3% até 2033. Quanto ao Médio Oriente e África, o tamanho de mercado deste segmento da indústria alimentar poderá ultrapassar os 62 mil milhões de dólares americanos em 2030, conferindo uma Taxa de Crescimento Anual Composta prevista superior a 9,2% nesta geografia.

3.3. América Latina e Caribe

Relativamente à América Latina e Região do Caribe, o mercado do fast-food poderá ultrapassar os 151 mil milhões de dólares americanos já em 2030, prevendo-se, assim, uma Taxa de Crescimento Anual Composta prevista superior a 9,8% nos próximos 6 anos.

4. As oportunidades de investimento

As perspetivas de crescimento deste tipo de indústria podem ser indicadores de que a aquisição de ações de empresas ligadas a este setor alimentar apresentem boas oportunidades de investimento.

No entanto, uma avaliação profunda e uma análise metódica são fundamentais para um correto ajuste ao perfil de investidor e harmonia com a estratégia de investimento.

São agora apresentadas, sucintamente, algumas empresas do segmento do fast-food, as quais podem, depois de estudadas e avaliadas, conferir oportunidades de investimento interessantes.

  • McDonald’s Corporation (NYSE:MCD) empresa americana com sede em Chicago, fundada em 1940 e mundialmente conhecida e referência neste mercado. Apresenta um PE acima de 25 e um EPS superior a 11,5. Distribui dividendos com um Dividend Yield de 2,28%. A sua margem de lucro ultrapassa os 33% e o PS é superior a 8,2.
  • Ibersol, S.G.P.S., S.A. (ELI:IBS) é uma empresa portuguesa com sede no Porto e fundada em 1985. A sua rede de restaurantes, distribuída por Portugal, Espanha e Angola, inclui nomes como Pizza Hut, Burger King, Kentucky Fried Chicken, Pans & Company ou Pasta Caffé. O PE é superior a 13,8 e o EPS situa-se acima de 0,45. Distribui dividendos com um Dividend Yield de 9,67% (junho de 2023). A margem de lucro ultrapassa os 37,9%, ROA e ROE encontram-se acima de 3% e 6%, respetivamente.
  • Restaurant Brands International Inc. (NYSE:QSR) empresa canadiana com sede em Toronto, fundada em 1954. É detentora de cadeias como Burger King entre outras. PE e EPS situam-se acima de 20 e 3,7, respetivamente. Distribui dividendos com um Dividend Yield de 3,04%.
  • Starbucks Corporation (NASDAQ:SBUX) empresa americana classificada como cadeia de fast-food. Fundada em 1971 em Seattle, contando com mais de 380 mil funcionários. O EPS situa-se acima de 3,7 e o PE é superior a 24,9. Distribui dividendos com um Dividend Yield de 2,44%. O ROA é superior a 12,5% e a margem de lucro ultrapassa os 11,5%.
  • Domino’s Pizza, Inc. (NYSE:DPZ) empresa americana com sede no Michigan e fundada em 1960. O PE e o EPS ultrapassam 28,5 e 14,5, respetivamente. Distribui dividendos com um Dividend Yield de 1,16%. A margem de lucro é superior a 11,6%, o ROA posiciona-se acima dos 31,2% e o PS ultrapassa os 3,3.
  • Papa John’s International, Inc. (NASDAQ:PZZA) empresa americana fundada em 1984 e com sede no Kentucky. PE e EPS situam-se acima de 30 e 2,3, respetivamente. Distribui dividendos com um Dividend Yield de 2,58%. O PS é superior a 1,15 e o ROA supera os 10,7%. A margem de lucro ultrapassa os 3,7%.
  • Yum! Brands, Inc. (NYSE:YUM) empresa americana fundada em 1997 e com sede no Michigan. Taco Bell, KFC ou Pizza Hut são nomes incluídos na sua lista de restaurantes de fast-food. PE e EPS encontram-se acima de 24 e 5,5, respetivamente. A margem de lucro ultrapassa os 22,5% e o ROA é superior a 24,4%. Distribui dividendos com um Dividend Yield de 2% e o PS ultrapassa os 5,25.
  • The Wendy’s Company (NASDAQ:WEN) empresa americana fundada em 1969 com sede no Ohio. O PE ultrapassa os 19,3 e o EPS é superior a 0,9. Distribui dividendos com um Dividend Yield de 5,56%. ROA e ROE são superiores a 4,5% e 52,7%, respetivamente. A margem de lucro situa-se acima dos 9,35%, o PS e supera 1,85 e o PB ultrapassa os 11,5.

ETFs – Exchange Traded Funds

Numa lógica do investidor menos focado na seleção de ações individuais de empresas existem os ETFs (Exchange Traded Funds) como alternativa de investimento. Embora não havendo um ETF exclusivo de restaurantes de fast-food, o AdvisorShares Restaurant ETF (NYSE:EATZ) é um dos ETFs no âmbitos deste tipo de serviços de restauração. Apresenta uma TER de 1,01% e empresas como Yum! Brands, Inc., Domino’s Pizza, Inc. (DPZ) ou McDonald’s Corporation (MCD) fazem parte da sua lista de holdings.

5. Conclusão

Fatores demográficos, como o aumento da população, a maior capacidade financeira da classe média a nível global, associados a um estilo de vida ocidental de ritmo acelerado têm contribuído para um crescimento e expansão da indústria do fast-food.

A maior facilidade de aquisição, as refeições rápidas e económicas, bem como uma confiança nos níveis de segurança alimentar em empresas, mundialmente conhecidas, criaram condições ideais para que esta indústria apresente perspetivas de crescimento assinaláveis.

Através de empresas individuais ou via Exchange Traded Funds (ETFs), pode o investidor estar exposto a este mercado. São várias as oportunidades de investimento que o fast-food proporciona, porém é importante e fundamental fazer uma análise e avaliação prévias profundas para que a decisão de alocar fundos a este segmento se adeque corretamente ao perfil de investidor, estratégia e objetivos de investimento.

As ideias e as opiniões, acima descritas, refletem a minha linha de pensamento sobre estes veículos de investimentos. Assim, não devem as mesmas ser consideradas ou tidas como forma de aconselhamento financeiro.

Últimos comentários

Excelente descrição e evolução da nossa sociedade a nivel alimentar! parabéns jorge aprendizagem sempre útil! abraço
Caro Adriano, muito obrigado pelo seu comentário. Tento, dentro daquilo que me é possível criar conteúdo que possa abrager o máximo de público para que o artigo, independentemente, do tema se torne interessante de ler.
Parabéns! 👏
Muito obrigado!
Dados desactualizados sobre a Ibersol, nomeadamente o Burguer King e o dividendo. De resto, sim a tendência é de crescimento paulatino devido à classe média. Se Portugal contraria isto, será aconselhável investir na Ibersol? Tem resultados sólidos, bons dividendos mas … o futuro ?
Caro Pedro, muito obrigado. Os valores dos indicadores verifiquei no YF, o dividendo vi na comunicação deles. Podia pf indicar aqui os valores atuais, para que a informação fique atualizada! E quanto as suas dúvidas... são as mesmas que tenho, daí nao ter a ação em carteira. Muito obrigado pelo comentário, partilha e correção!
Exacto, o Burguer King deixou de fazer parte da Ibersol (talvez há coisa de 1 ano... li na época sobre isso).
Muito obrigado caro Mário pela correção.
......Será por isso e, ainda, levando em consideração alguns desafios e inconvenientes, nomeadamente os relacionados com a saúde, devido ao alto teor de gorduras e calorias em muitos dos produtos que compõem alimentos fast food e, ambientais, com o excessivo uso de embalagens plásticas, que a sustentabilidade destas cadeias de abastecimento deverá ser sempre elemento a levar em conta em matéria de investimento. De novo, mais um excelente contributo dado a esta importantíssima área e, também, na curiosa história de um produto que revolucionou a alimentação, no mundo. Obrigado e parabéns.
Caro Domingos Oliveira, são de facto considerações pertinentes as que faz. Desde ja agradeço mais uma vez o seu excelente comentário.
Sendo indústria que fornece empregos a muita gente e de grande importância para os consumidores, graças às refeições rápidas e acessíveis que oferece, considera-se, só por isso, de peso económico considerável. Além disso, por ser prioridade na procura de alimentos baratos e prontos para consumo, é, geralmente, de crescimento rápido e com fortes probabilidades de sucesso económico. Será por isso e devido a estas condicionantes, que tem, todavia, e contra si, o factor da concorrência, tantas vezes decisivo e a sobrepor a importância desta indústria nas empresas de marcas fortes e reconhecíveis, obrigando a cuidados reforçados em análises de investimento........
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